terça-feira, 17 de abril de 2012

REALIDADE em livros - Entrevista: J. S. Faro, autor do livro “Revista Realidade, 1966-1968: tempo da reportagem na imprensa”

J. S. Faro, autor do livro “Revista Realidade, 1966-1968: tempo da reportagem na imprensa” deu entrevista para as alunas da FACHA Carolina Moota e Vanessa Oliveira, do blog "Virou Realidade". Veja abaixo a íntegra da entrevista.

J.S Faro fala sobre a Revista Realidade

Por CAROLINA MOTTA E VANESSA OLIVEIRA


Foto: Blog J.S.Faro
J.S.Faro é graduado em História pela Universidade de São Paulo (1973), mestrado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (1992) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1996). Como leitor da Revista Realidade, decidiu escrever sua tese de doutorado sobre ela. Depois, publicou um livro sobre a Realidade, resultado de sua tese, chamado: “Revista Realidade, 1966-1968: tempo da reportagem na imprensa”.

"Fui leitor da revista e "apaixonado" pelas matérias que foram publicadas. ", conta Faro.


VR - Porque escrever um livro e ter como objeto de estudo a Revista Realidade?
FARO - O livro resultou de minha tese de doutorado apresentada em 1996 na USP. Sempre fui um estudioso do jornalismo brasileiro, em especial dos veículos que produziram textos investigativos, de grandes reportagens. Realidade me parece ter sido a experiência que levou mais longe essa proposta, daí meu interesse por ela. Portanto, mesmo antes de pensar no doutorado e no livro, fui leitor da revista e "apaixonado" pelas matérias que foram publicadas.

VR - E como foi escrever esse livro?
FARO - Escrever o trabalho todo foi uma experiência quase existencial porque tive que reler praticamente toda a revista naqueles três primeiros anos em que a estudei mais a fundo (1966-1968). Como minha adolescência acompanhou aquelas reportagens, fiz uma viagem no tempo. Mas foi também uma experiência de natureza conceitual porque a maturidade acadêmica me permitiu olhar todo o material a partir de uma perspectiva analítica nova, observar relações que um simples leitor não observa. Para falar a verdade, foi tão envolvente que o texto do trabalho fluiu como um depoimento da memória...


VR - A Revista Realidade mudou a imprensa brasileira?
FARO - Eu não diria que ela "mudou" a imprensa brasileira porque parte do que ela fez era herança de algumas experiências que eu procuro apontar no livro. O jornalismo investigativo já existia em outras revistas. O que Realidade fez foi dar a esse gênero uma nova dimensão temática (sintonizada com as grandes questões da época) e textual (inovando nas narrativas que faziam fronteira com técnicas literárias)


VR - Qual o significado cultural dessa revista?
FARO - O significado foi um aprofundamento da problematização das pautas junto à sociedade, em especial junto ao público leitor – formado também por segmentos de influência junto à opinião pública. Digo no livro que Realidade foi um catalisador das grandes questões comportamentais e culturais dos anos 60.


VR - O seu livro conta com um subtítulo, onde você cita “o tempo de reportagem na imprensa brasileira”. O que isso quer dizer?
FARO - Quero dizer que a força que a revista adquiriu no meio jornalístico fez com ela fosse considerada um parâmetro, talvez inaugurando uma ênfase nova no jornalismo investigativo...


VR - Qual a diferença do jornalismo daquela época para hoje em dia?
FARO - Vejo o jornalismo brasileiro hoje como uma experiência empobrecida pela simplificação que seus processos de produção acabam provocando, além das dificuldades econômicas vividas pela imprensa em geral. Por outro lado, a rapidez na circulação das informações e uma certa crise de leitura que acompanha esse processo, são fatores que desestimulam um jornalismo de profundidade...


VR - Hoje existiria a possibilidade de ter uma revista como a Revista Realidade?
FARO - Penso que sim porque a crise que eu apontei na questão anterior não me parece suficientemente forte a ponto de inviabilizar experiências semelhantes. Veja os exemplos da revista Brasileiros e da revista Piauí. São publicações que permitem a produção de matérias de fôlego onde a sensibilidade do repórter é maior do que a determinação meramente informativa.


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